Decisão da USP Após Longo Processo de Investigação
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) oficializou na última quinta-feira, 12, a demissão do professor José Maurício Rosolen. O docente estava afastado desde o ano passado, após ser acusado por 16 estudantes de assédio sexual e moral. A reportagem tentará contato com o professor para obter sua versão, mantendo o espaço aberto.
A diretoria da Universidade divulgou uma nota informando que a decisão foi tomada por um grupo de conselheiros da Congregação da Unidade. Agora, essa demissão precisa ser formalizada pela reitoria da USP.
José Maurício Rosolen, que leciona Química e faz parte da USP desde 1997, foi afastado em março de 2023, quando um processo administrativo disciplinar foi instaurado contra ele. Inicialmente, o afastamento deveria durar 180 dias, mas o professor retornou ao campus em março deste ano, gerando protestos entre os alunos.
O Centro Estudantil da Química USP-RP se manifestou em nota no dia 6 de março, enfatizando a necessidade da comunidade acadêmica se organizar e discutir os próximos passos diante do retorno do professor, acusado de assédio sexual.
A demissão de Rosolen é resultado de um ano de investigações que ocorreram enquanto ele estava afastado. Essa apuração foi fundamental para esclarecer as denúncias feitas por estudantes.
Contexto das Denúncias
O caso gerou repercussão na comunidade acadêmica. Rosolen foi suspenso após ser denunciado por assédio moral e sexual, e já estava sob investigação preliminar desde setembro de 2024. Segundo relatos de alunas, havia um “acordo tácito” entre os estudantes para evitar que mulheres ficassem sozinhas com o professor, tanto em salas de aula quanto em laboratórios.
As denúncias indicam que o docente tentava se aproximar das alunas para estabelecer uma conexão, fazendo convites e oferecendo viagens. No entanto, essas interações frequentemente evoluíam para tentativas de beijos forçados e toques inapropriados. Além disso, quando suas investidas não eram correspondidas, Rosolen supostamente retaliava as alunas com ameaças de cortes em suas bolsas de estudo.
Outras Demissões na USP
A situação de Rosolen não é um caso isolado na Universidade. Em dezembro do ano passado, a USP demitiu o professor Alysson Leandro Barbate Mascaro, da Faculdade de Direito, que também foi alvo de investigações por assédio. Ele acumulava pelo menos dez denúncias contra sua conduta, embora sempre tenha negado as acusações.
Mascaro foi afastado no final de 2024, e sua demissão foi concretizada cerca de um ano depois. Na ocasião, a defesa do professor alegou que o processo disciplinar contra ele caracterizava “lawfare” e apresentava irregularidades, como mudanças nas versões das denúncias e intimações inadequadas.
É imprescindível ressaltar que este artigo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando esses problemas, não hesite em ligar para o número 180 para denunciar.

