Evento Celebra 50 Anos e Gera Debates Políticos
Na noite de sábado, 14, Brasília se tornou palco de uma festa que reuniu figuras proeminentes da política e do empresariado local, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A comemoração marcou o meio século do grupo empresarial fundado pelo ex-governador Paulo Octávio, e contou com a presença de cinco ex-chefes do Executivo, de José Roberto Arruda (PSD) a Agnelo Queiroz (PT). No entanto, o que realmente chamou a atenção foram as ausências, especialmente a do atual governador Ibaneis Rocha, que gerou uma série de especulações nas rodas de conversa do evento.
Embora os convidados tentassem evitar discussões que poderiam ofuscar a celebração, a delação do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, flutuava na atmosfera do encontro. Vorcaro, atualmente preso, teria mencionado Ibaneis em suas declarações à Polícia Federal, levantando questões sobre sua possível implicação em um esquema de vendas no qual o Master estaria envolvido com o Banco de Brasília (BRB).
Especulações em Torno da Delação de Vorcaro
Os comentários entre os presentes se concentraram na dúvida se o governador seria mencionado na delação. A ausência de Ibaneis foi um tópico recorrente, especialmente entre seus opositores. Vorcaro revelou ter conversado com o governador sobre a venda do Master ao BRB, mas Ibaneis nega qualquer contato relacionado ao tema. De acordo com a Polícia Federal e o Banco Central, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos do Master, o que intensificou ainda mais as especulações.
Além disso, como reportado anteriormente, Ibaneis firmou um contrato de R$ 10 milhões em honorários para um fundo ligado à Reag Investimentos, uma empresa sob investigação no caso Master, enquanto já ocupava o cargo de governador. Ele alegou estar afastado de seu escritório de advocacia desde 2018, mas essa afirmação gerou dúvidas entre os observadores políticos.
Reações e Apoiadores de Arruda no Evento
Seis ex-governadores estavam no evento, e Paulo Octávio foi, sem dúvida, o anfitrião mais cumprimentado. Ele expressou ambições para o futuro, com a meta de alcançar mil empreendimentos imobiliários em Brasília. Por outro lado, a presença de José Roberto Arruda foi notada, especialmente por funcionários da festa, que o abordavam frequentemente.
Arruda, que recentemente se filiou ao PSD, está em uma disputa acirrada nas pesquisas, empatado com a atual vice-governadora. Sua candidatura conta com apoio informal do PL, e ele se mostra otimista quanto a obter o apoio dos integrantes do partido, independentemente das alianças formais que possam surgir.
O deputado Alberto Fraga (PL-DF) afirmou à Coluna que, apesar das diretrizes do partido, ele está disposto a apoiar Arruda, destacando a natureza liberal do PL. A corrida política se torna ainda mais complexa com as recentes mudanças na legislação eleitoral que, segundo analistas, podem beneficiar Arruda em futuras eleições.
Novas Regras Eleitorais e Inelegibilidade
As alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 219/2025 podem mudar o cenário para muitos políticos no Distrito Federal. A nova legislação estabelece prazos de inelegibilidade que podem beneficiar aqueles que enfrentaram condenações, como é o caso de Arruda. O Ministério Público já reconheceu a conexão entre as ações, o que pode permitir a contagem única do prazo de inelegibilidade, encerrando-o antes das eleições de 2026.
Considerando que a primeira decisão condenatória ocorreu em julho de 2014, o prazo de 8 anos se encerrou em julho de 2022, liberando Arruda para concorrer novamente. Mesmo que se considere uma interpretação mais restritiva, a nova legislação impõe limites que ainda permitem sua participação no pleito.
Assim, as peças estão se movendo no tabuleiro político do Distrito Federal, e a festa de Paulo Octávio serviu não apenas para celebrar um marco na construção civil, mas também para expor as tensões e expectativas que cercam as próximas eleições.

