Crescimento dos Casos de Hepatite A
Um levantamento recente realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, em São Paulo, revelou que, entre janeiro e março de 2023, a cidade registrou 203 casos de hepatite A. Para comparação, no mesmo período de 2022, foram apenas dois casos. Essa evolução acende um alerta nas autoridades de saúde, que estão monitorando a situação de perto.
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, explicou que o aumento dos casos começou a ser observado em dezembro do ano passado, continuando a crescer nos primeiros meses de 2023. “O aumento se manifestou em dezembro, persistiu em janeiro, fevereiro e agora, na primeira semana de março. Caracteriza-se como um surto, embora não seja um surto com crescimento exponencial, mas os números estão acima do esperado”, disse Luzia.
O que é a Hepatite A?
A hepatite A é uma infecção viral que afeta exclusivamente os seres humanos e é conhecida por sua alta transmissibilidade. O vírus é veiculado principalmente por meio do contato com água ou alimentos contaminados, além de objetos que possam ter sido tocados por indivíduos infectados.
De acordo com a Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, não foi identificado um único foco de contaminação na cidade, o que indica uma dispersão ampla do vírus, aumentando a complexidade para o controle da infecção.
O vírus da Hepatite A (HVA) provoca uma inflamação aguda no fígado, sendo a forma mais comum de hepatite viral. A transmissão pode ocorrer pelo compartilhamento de copos e utensílios com pessoas contaminadas, bem como pelo consumo de alimentos e água contaminados.
Investigação de Casos e Sintomas
A subsecretária também informou que a equipe de saúde está realizando uma investigação case a case. “Conversamos com os pacientes para entender onde trabalham, se têm contato com alimentos ou se viajaram anteriormente, a fim de identificar uma possível fonte de infecção. Quando encontrados focos de contaminação, intervenções são realizadas”, detalhou Luzia.
Os sintomas da hepatite A podem variar, mas geralmente incluem cansaço, febre e náuseas, seguidos por sintomas gastrointestinais como enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia. Em casos mais severos, a infecção pode levar a urina escura e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.
A assessora de eventos Mariana Villares, diagnosticada com hepatite A, compartilhou sua experiência: “Não é uma doença fácil, causa muito desconforto. Comecei com uma gripe e, ao notar sintomas diferentes, procurei um médico. É fundamental ficar atento e vacinar-se.”
Prevenção e Vacinação
Para prevenir a hepatite A, a higiene pessoal e a vacinação são essenciais. A vacina está disponível no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2014 e, embora a incidência tenha diminuído entre crianças, quem não teve a oportunidade de se vacinar ainda está em risco. A infectologista Silvia Fonseca reforçou a importância da imunização: “A vacina está disponível nas salas de vacinação em toda a cidade”, explicou.
Durante o tratamento da hepatite A, é fundamental evitar o consumo de álcool e a automedicação com remédios naturais, que, embora possam parecer inofensivos, podem ser prejudiciais ao fígado. “Repouso e cuidados com a alimentação são essenciais durante a recuperação”, acrescentou a especialista.
A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto reitera que a vacina contra a hepatite A é uma ferramenta de grande importância na luta contra a disseminação do vírus e está acessível a todos, especialmente crianças e grupos de risco.

