Denúncia de Abuso Durante Consulta Médica
Um médico de 67 anos, que atuava em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Franca, São Paulo, foi afastado de suas funções após uma paciente de 18 anos apresentar uma denúncia de abuso durante uma consulta. A jovem relatou que o profissional tocou seus seios sob a justificativa de medir a temperatura, alegando que ela apresentava febre. O incidente ocorreu na tarde de quarta-feira, 18 de outubro, na UPA Jardim Aeroporto.
A Secretaria de Saúde local prontamente suspendeu o médico no mesmo dia em que a denúncia foi feita. Ele chegou a ser detido, mas foi liberado na manhã seguinte, 19 de outubro, após audiência de custódia. Até o fechamento desta matéria, não foi possível localizar a defesa do médico para comentar as acusações.
Em comunicado oficial, a Secretaria de Saúde afirmou que um processo administrativo foi instaurado para apurar os fatos de maneira rigorosa e assegurou que todas as medidas necessárias serão tomadas.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher, onde a ocorrência foi classificada como importunação sexual mediante fraude. A delegada responsável pelo caso, Juliana Paiva, explicou que o médico usou sua posição profissional para enganar a vítima. Segundo ela, a jovem procurou atendimento devido a uma infecção de garganta e, após a triagem inicial, foi encaminhada para o médico, que é o acusado.
Durante a triagem, a paciente não apresentou sinais de febre, mas o médico decidiu aferir a temperatura de uma forma questionável, colocando as mãos entre os seios da vítima. Ao ser ouvido, o médico não negou o ato e, em sua defesa, gaguejou ao explicar o porquê de sua abordagem.
Juliana Paiva destacou que, após o incidente, a jovem ficou tão assustada que saiu rapidamente da sala e acionou sua mãe. No momento em que a genitora chegou à UPA, também enfrentou uma situação desconfortável com o mesmo médico, que, segundo o relato dela, se referiu a ela com a expressão inapropriada: ‘e aí, morena?’. Esse comportamento gerou uma situação de confronto entre a família e o médico, resultando na chamada da Polícia Militar ao local.
Após seu depoimento, o médico admitiu ter tocado os seios da jovem, mas não conseguiu justificar sua conduta. Questionado sobre a falta de um termômetro adequado, ele afirmou que não solicitou outro por acreditar que a paciente já havia passado pela triagem sem apresentar alterações. A delegada Paiva também mencionou que investiga se outras pacientes foram vítimas do mesmo médico. Na quinta-feira, uma mulher procurou a polícia para relatar um episódio semelhante ocorrido em 2019, que agora também será investigado.
A mulher relatou que, em uma consulta anterior, o médico teria tocado suas pernas de maneira inadequada e olhado para seus seios, fazendo comentários desconfortáveis durante o atendimento. Embora essa situação não tenha sido classificada imediatamente como importunação sexual, o comportamento inadequado foi evidenciado pelos relatos.
O caso levanta questões sobre a ética profissional e a segurança das pacientes durante atendimentos médicos, e muitos aguardam por desenvolvimentos nesta investigação. A comunidade local e os órgãos de saúde estão atentos ao desfecho, que pode impactar não apenas o profissional acusado, mas também a confiança das mulheres em buscar tratamento médico.

