A Educação e a Intolerância Religiosa
No Brasil, a intolerância religiosa tem se tornado um problema alarmante, com dados recentes do Disque Direitos Humanos, serviço de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelando que as religiões de matriz africana são as mais atacadas. Esse panorama demonstra a urgência de uma resposta coletiva, com um foco especial nas estratégias educacionais.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque Direitos Humanos registrou 2.774 ocorrências relacionadas a atos de intolerância religiosa. As religiões de matriz africana lideram as estatísticas: Umbanda com 228 casos, Candomblé com 161, e outras práticas como Umbanda/Candomblé somam 47 ocorrências, além de 40 registros de outras tradições.
Datas que Chamam à Reflexão
As comemorações do Dia Internacional contra a Discriminação Racial e o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, ambos celebrados em 21 de março, passam a ter um significado ainda mais profundo diante da crescente violência. Esses dias não são apenas simbólicos, mas um chamado à ação contra as violações de direitos.
João Macedo, coordenador da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, enfatiza que a educação deve ser um pilar fundamental na desconstrução do racismo e na promoção da tolerância religiosa. “As instituições de ensino não podem se omitir frente a essas realidades. O combate ao racismo e à intolerância religiosa deve estar inserido no projeto pedagógico e nas práticas cotidianas”, afirma Macedo. Segundo ele, o Sinpro tem promovido ações voltadas para a formação e prevenção, visando criar um ambiente escolar antirracista.
Recursos Educacionais para a Combate ao Racismo
Para facilitar essa integração, a Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro lançou dois volumes do caderno “É Preciso Ser Antirracista”, que se baseiam nas diretrizes da Lei 10.639/2003, a qual prescreve a inclusão da história e cultura afro-brasileiras nos currículos escolares.
“Estamos oferecendo um guia prático à comunidade escolar do Distrito Federal, que visa ações efetivas no combate ao racismo. Temos um arcabouço legal robusto; agora, é hora de agir”, ressalta João Macedo.
Desafios Legislativos e Retrocessos
Entretanto, a promoção da educação antirracista encontra desafios no cenário legislativo atual. No Congresso Nacional, tramita o Projeto de Lei nº 1007/2025, que sugere mudanças na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). O projeto propõe tornar facultativo o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, o que, segundo Macedo, representa um retrocesso significativo.
“Transformar esses conteúdos em opcionais compromete a formação crítica dos alunos e diminui o papel das escolas na promoção da igualdade racial. Em um tempo em que a intolerância religiosa e as desigualdades raciais estão em ascensão, reforçar a educação antirracista não é apenas uma questão pedagógica, mas um imperativo democrático”, conclui.
Compreendendo a Importância das Datas
O dia 21 de março é marcado por duas datas cruciais: o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, instituído pela ONU em memória do “Massacre de Sharpeville”, ocorrido na África do Sul em 1960, e o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Esta última foi oficialmente reconhecida pelo presidente Lula por meio da Lei 14.519/2023.

