Omissão da ONU e Críticas à Política Ambiental
Durante a COP-15, realizada em Campo Grande (MS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu discurso para criticar a inação do Conselho de Segurança da ONU em relação a conflitos globais. “Esta COP-15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, afirmou Lula, ressaltando a importância da ONU, que, ao longo de 80 anos, teve um papel fundamental em iniciativas como a proibição de armas químicas e biológicas, a defesa dos direitos humanos e a ajuda a refugiados e imigrantes.
Contudo, Lula foi incisivo ao destacar que o Conselho de Segurança tem se mostrado omisso na busca de soluções para os conflitos. Ele alertou que “um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, sugerindo que, em vez de erguer muros, o que se precisa são políticas de acolhimento e um multilateralismo fortalecido e renovado.
O discurso de Lula na COP-15 também ecoou críticas mais amplas à gestão ambiental anterior, em particular à política de seu antecessor, Jair Bolsonaro. Ele ressaltou que a imagem do Brasil no cenário internacional foi prejudicada por ações que comprometeram a proteção ambiental. “Até pouco tempo, a imagem internacional do Brasil na área ambiental enfrentava questionamentos profundos, impactando diretamente nossas relações econômicas e comerciais”, disse Lula.
Resultados e Iniciativas de Conservação
Desde que assumiu a presidência em 2023, Lula informou que sua gestão já alcançou resultados significativos, como a redução do desmatamento na Amazônia em até 50% e no Cerrado em mais de 30%, além de uma drástica diminuição das queimadas no Pantanal, que caiu em mais de 90%. O presidente também destacou que o Brasil foi sede da COP-30, a conferência da ONU sobre o Clima, e lançou iniciativas como o “Fundo Florestas Tropicais para Sempre” e a Coalizão de Mercados de Carbono. Durante seu discurso, ele foi aplaudido ao mencionar a candidatura de Abrolhos como Patrimônio Mundial da Unesco.
Em sua fala, Lula recordou que a convenção para a proteção das espécies migratórias foi estabelecida em 1979, antes mesmo da Conferência do Rio de Janeiro, e que essa iniciativa foi pioneira na formulação de uma estrutura institucional voltada para questões ambientais e climáticas nas Nações Unidas. Ele ressaltou a importância desse esforço para o controle e mapeamento de cerca de 1.200 animais, incluindo espécies ameaçadas de extinção. “Contribuiu para a recuperação da baleia jubarte e da tartaruga-verde, que estavam à beira da extinção”, lembrou.
Objetivos da Presidência Brasileira da COP-15
Com relação à sua presidência na COP-15, Lula delineou três objetivos principais: dialogar com os princípios estabelecidos pelas Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade; ampliar e mobilizar recursos financeiros, criando novos fundos e mecanismos multilaterais inovadores; e universalizar a Declaração do Pantanal, estimulando mais países a se envolverem na proteção de espécies e rotas migratórias.
Durante o evento, o governo brasileiro anunciou a criação de uma nova unidade de conservação, a reserva Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com uma área de 41 mil hectares. Além disso, foi confirmada a ampliação da área do Parque Nacional do Pantanal, que passará a contar com mais 47 mil hectares, totalizando 183 mil hectares protegidos, e a Estação Ecológica de Taiamã, no Mato Grosso, também terá sua área aumentada para 68 mil hectares. Essas ações refletem um compromisso do Brasil em fortalecer a proteção ambiental e promover a conservação da biodiversidade.

