Consórcio Vencedor e Oportunidades de Investimento
O Governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 27, a conclusão da habilitação e a declaração do Consórcio Rota Mogiana como vencedor da concessão responsável pela operação e manutenção de 520 Km de rodovias no Estado. Com a documentação validada, o processo avança para as etapas de homologação e adjudicação, que antecedem a assinatura do contrato e o início da transição operacional, previstos para acontecer nos próximos 60 dias.
O consórcio é formado pelas empresas Azevedo & Travassos e Quimassa Infraestrutura, que arremataram o lote durante um leilão realizado na Bolsa de Valores (B3) em fevereiro. A proposta apresentada pelo grupo foi de R$ 1,08 bilhão em outorga fixa, um impressionante ágio de 187.007,54% em relação ao valor mínimo estipulado no edital, que era de apenas R$ 580 mil.
O projeto da Rota Mogiana prevê investimentos robustos, totalizando cerca de R$ 9,4 bilhões, e tem a função de impulsionar o turismo e o transporte de cargas. O trecho concedido conecta a Região Metropolitana de Campinas a Ribeirão Preto e à divisa com Minas Gerais, abrangendo 22 municípios, entre eles Mogi Mirim, Holambra e São José do Rio Pardo. Atualmente, essa malha é administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e pela concessionária Renovias, cujo contrato expira em abril deste ano.
“A Rota Mogiana é um exemplo de que São Paulo possui projetos bem estruturados, com segurança jurídica e foco na entrega”, ressaltou Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos.
A concessão tem a expectativa de beneficiar aproximadamente 2,3 milhões de pessoas e gerar cerca de 11 mil postos de trabalho, tanto diretos quanto indiretos.
Melhorias e Redução de Tarifas
As melhorias previstas no edital incluem a duplicação de 217 quilômetros de rodovias, a construção de 58 novas passarelas para pedestres e 135 pontos de ônibus, além de faixas adicionais e novas vias marginais. A proposta também contempla a implementação do sistema free-flow, que permitirá a cobrança eletrônica de pedágio.
Com esta nova concessão, conforme relatado pela Coluna do Estadão, o governo paulista estima uma redução de até 29% nas tarifas das praças de pedágio existentes. As maiores diminuições serão em Jaguariúna (-29%), Águas da Prata (-27%) e Estiva Gerbi (-26%). Além disso, o governo garantiu que em nenhum dos casos haverá aumento nas tarifas já estabelecidas.
Desempenho e Expectativas do Consórcio
O consórcio vencedor superou três concorrentes durante o leilão. A segunda colocada foi a MC Brasil, ligada ao Fundo árabe Mubadala, que apresentou uma oferta de R$ 1,019 bilhão. As empresas Motiva e EPR não conseguiram acompanhar a disputa com propostas de R$ 560 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente.
A Azevedo & Travassos, que possui uma longa trajetória no setor de óleo e gás, está fazendo sua estreia no segmento de rodovias. No ano anterior, a empresa havia vencido a concessão da Rota Agro (BR-060/364/GO/MT), mas foi inabilitada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) devido a irregularidades em certidões trabalhistas e no seguro-garantia emitido pela Reag Seguradora. Agora, em parceria com a Quimassa Infraestrutura, a Azevedo & Travassos assume a direção da Rota Mogiana pelos próximos 30 anos, sendo responsável pela operação, manutenção e expansão da malha viária.
No dia do leilão, o CEO da Azevedo & Travassos, Gabriel Freire, abordou a relação anterior com a Reag, afirmando que essa fase já é história e não apresenta risco de reputação para a empresa. “A Azevedo & Travassos é uma companhia com 104 anos de história, listada há 42 anos na B3, e teve a Reag no captable por menos de um ano”, comparou.
A gestora de investimentos deixou a companhia em setembro, após ser investigada na operação Carbono Oculto, que envolveu lavagem de dinheiro e uso de fundos de investimento para ocultação de recursos. Em janeiro, já sob a denominação CBSF DTVM, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, após envolvimento nas apurações relacionadas ao caso Banco Master.
“Hoje, a participação da Reag na empresa é nula. Assim que a operação começou, a companhia foi rápida para neutralizar a maior parte dos efeitos negativos. Não enfrentamos perdas de clientes”, garantiu Freire.

