Expectativas Econômicas e Avanço da Vacinação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Itaú Unibanco revisou suas perspectivas para a economia brasileira, elevando a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% para 5,5% em 2021. Essa mudança se deve ao avanço da vacinação contra a Covid-19, que tem contribuído para a recuperação econômica. Segundo o banco, o resultado do primeiro trimestre superou as expectativas e reforçou a confiança nas previsões. Para o próximo ano, no entanto, a expectativa é de desaceleração do crescimento, com um aumento estimado de apenas 1,8% no PIB.
De acordo com Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, a normalização da economia deve ocorrer já no quarto trimestre de 2021, o que é um indicativo positivo. “Acreditamos que até novembro, toda a população acima de 18 anos terá recebido pelo menos a primeira dose da vacina”, comentou Mesquita no último relatório de projeções do banco.
Ele ressaltou que, apesar da dependência de insumos e vacinas importadas, o Brasil possui garantidas cerca de 600 milhões de doses, suficientes para vacinar a população elegível, que conta com 158 milhões de pessoas.
Desafios e Riscos Econômicos
Um ponto de atenção levantado pelo economista é o risco de novas variantes do coronavírus que possam comprometer a eficácia das vacinas utilizadas no país. “Embora o Brasil esteja enfrentando um novo aumento de casos e internações, os impactos na economia são esperados menores do que na segunda onda da pandemia, conforme a vacinação avança”, acrescentou.
Além de observar uma redução nas taxas de mortalidade entre os infectados, o Itaú acredita que a economia se adaptou melhor ao contexto da pandemia. “Novas restrições à mobilidade na sociedade podem ter efeitos moderados, semelhantes aos verificados entre março e abril deste ano”, afirmou Mesquita.
Projeções Fiscais e Câmbio
No que diz respeito às projeções fiscais, o Itaú revisou suas estimativas de déficit primário, que agora são de 2,0% e 1,0% do PIB para 2021 e 2022, respectivamente, ante 2,8% e 2,0% anteriores. A dívida bruta também foi ajustada para 81,9% e 81,6% do PIB em 2021 e 2022, ao invés de 84,1% e 84,5%.
Quanto à taxa de câmbio, as previsões foram ajustadas para R$ 4,75 ao final de 2021 e R$ 5,10 em 2022, uma melhoria significativa em relação às estimativas anteriores de R$ 5,30 e R$ 5,50, respectivamente. O banco atribui essa valorização da moeda à elevação da taxa Selic, ao aumento dos preços das commodities e ao impacto positivo da recuperação da atividade econômica sobre as contas públicas.
Expectativas de Inflação e Taxa Selic
A inflação para este ano também foi revisada, passando de 5,3% para 5,6%, refletindo uma recuperação econômica mais robusta e a alta nos preços das commodities agrícolas. Mesquita observou que um hiato menor, decorrente do crescimento mais acelerado, tende a pressionar a inflação.
Para mitigar os riscos de um aumento adicional da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve elevar a taxa Selic para 6,00% até o final de 2021, em comparação à previsão anterior de 5,50%. Para 2022, a expectativa de inflação é de 3,6%, próxima da meta, com a revisão das atividades sendo contrabalançada pelos efeitos de uma Selic mais alta e um câmbio mais forte.

