Colaboração Inovadora no Combate ao Câncer
No último dia 9 de abril, o Instituto Butantan anunciou uma significativa parceria com a biofarmacêutica chinesa IASO Bio, visando o desenvolvimento da terapia celular CAR-T no Brasil. Essa abordagem inovadora destina-se a tratar doenças hematológicas, como os cânceres de sangue. A tecnologia utiliza as células do próprio paciente, o que pode revolucionar o acesso a tratamentos complexos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A terapia CAR-T será produzida no Núcleo de Terapias Avançadas de São Paulo (Nutera-SP), coordenado pelo Butantan. Esta unidade já está envolvida na produção de outra terapia CAR-T em colaboração com o Hemocentro de Ribeirão Preto, mas destinada a diferentes condições hematológicas. A nova parceria amplia as possibilidades de tratamento e representa um marco na oferta de terapias avançadas no país.
Acessibilidade e Avanços na Saúde Pública
Com a produção local da terapia, espera-se uma redução significativa nos custos, que atualmente podem ultrapassar US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,6 milhões) por paciente. A viabilização desse tratamento pelo SUS é um passo importante, uma vez que, até agora, o acesso estava restrito à rede privada. Essa nova abordagem pode facilitar o tratamento para pacientes que não respondem a métodos convencionais.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, destacou a importância da parceria, ressaltando que a inclusão do tratamento no SUS é uma estratégia para atender à crescente demanda por inovações na saúde pública. Segundo Kallás, “o tratamento revolucionou o combate a doenças do sangue, mas seu acesso ainda é um desafio”. Essa colaboração é vista como uma forma de ampliar o portfólio de serviços do Butantan para melhor atender a população brasileira.
Impacto da Tecnologia CAR-T na Medicina
O coordenador do Nutera-SP, Vanderson Rocha, professor titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, enfatizou que a implantação da terapia CAR-T dentro de uma instituição pública representa um marco significativo para a ciência no Brasil. Ele acredita que essa tecnologia abrirá novas possibilidades de tratamento para os pacientes atendidos pelo SUS, que tradicionalmente ficam sem opções eficazes.
A IASO Bio, por sua vez, é uma empresa reconhecida no desenvolvimento de terapias celulares e biológicos para tratar malignidades hematológicas e doenças autoimunes. O CEO da IASO Bio, Jinhua Zhang, destacou que a parceria com o Butantan é uma peça chave na estratégia global da empresa para levar suas inovações à América Latina. Jinhua afirmou que, ao unir a tecnologia da IASO Bio às capacidades do Instituto Butantan, é possível reduzir custos e ampliar o acesso ao tratamento no Brasil.
Como Funciona a Terapia CAR-T?
A terapia CAR-T, que surgiu nos Estados Unidos em 2010 fruto de mais de seis décadas de pesquisa, consiste em modificar geneticamente as células imunes do paciente para atacar o câncer. O processo envolve a coleta de sangue do paciente, onde os linfócitos T são isolados e transformados em CAR-T. Essas células modificadas são, então, reinseridas no corpo do paciente, onde atuam diretamente nas células tumorais, poupando as saudáveis.
O Instituto Butantan já está trabalhando com a tecnologia CAR-T desde 2022, em colaboração com a FMUSP e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Juntos, inauguraram dois núcleos de terapia celular com o objetivo de desenvolver um tratamento específico para leucemia linfoide aguda e linfoma não-Hodgkin. Desde 2019, a terapia está em fase de testes, com uma taxa de eficácia de 80% na redução de tumores em pacientes que não apresentavam resposta a outras opções de tratamento. Os testes estão em andamento, e a terapia entrou na fase clínica em 2024.

