Iniciativa Promove Diálogo Sobre Sustentabilidade e Inclusão
No dia 8 de abril, o Ministério da Cultura (MinC), por intermédio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC), promoveu a Conferência Livre Cultura e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O evento online contou com a participação de 202 pessoas, oriundas de diversas partes do Brasil, dentre os 586 inscritos, e teve como principal objetivo definir propostas a serem apresentadas na etapa nacional da Agenda 2030.
A conferência se consolidou como um importante espaço de articulação entre o setor cultural e o debate em torno do desenvolvimento sustentável, ressaltando a importância da cultura na elaboração de políticas públicas mais inclusivas e que atendam aos desafios contemporâneos.
A abertura da conferência foi feita pela secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg. Em sua fala, Márcia enfatizou que a cultura deve ocupar um papel central na elaboração de soluções para o desenvolvimento sustentável. “Na essência, trata-se de um grande pacto pelo desenvolvimento sustentável, onde a cultura também precisa se colocar como uma política que incorpora a diversidade nas diretrizes públicas”, declarou. Para a secretária, esse momento representa um avanço significativo no fortalecimento das políticas culturais, especialmente no contexto da Cultura Viva.
O Papel do Brasil na Agenda Cultural Internacional
O diretor do Sistema Nacional de Cultura, Júnior Afro, destacou a relevância da iniciativa para o posicionamento do Brasil no cenário internacional. Segundo ele, o debate em torno da cultura contribui para a criação de uma agenda que reconheça a cultura como um pilar fundamental dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A mediação técnica do evento foi realizada por Giselle Dupin, que ressaltou o caráter transversal da cultura na Agenda 2030. “É vital discutirmos de que maneira a cultura pode auxiliar na conquista dos objetivos de desenvolvimento sustentável”, elucidou. Ela frisou que, apesar da cultura estar presente de maneira pontual em algumas metas, seu impacto é abrangente e perpassa todos os eixos dos ODS.
Metodologia e Colaboração Coletiva nas Propostas
Os grupos de trabalho durante a conferência foram facilitados por José Júnior e Plínio Rattes, do Ponto de Cultura Observatório da Diversidade Cultural. Os participantes foram instruídos a elaborar propostas concretas e que estejam alinhadas às diretrizes da fase nacional da Agenda 2030.
As discussões foram organizadas em dois eixos temáticos: promoção da inclusão social, com foco no combate às desigualdades, e sustentabilidade ambiental, promovendo a troca de experiências e a construção colaborativa de contribuições.
Propostas Prioritárias e Representatividade Cultural
Ao final do encontro, duas propostas prioritárias foram selecionadas. No eixo da inclusão social, destacou-se a criação de programas culturais voltados à formação cidadã, com ações intersetoriais, incentivo à educação ambiental e valorização dos conhecimentos comunitários. Além disso, houve um foco na ampliação do acesso à cultura, priorizando a diversidade, inovação e uma nova cultura de paz.
No que se refere ao eixo de sustentabilidade ambiental, a proposta enfatizou a necessidade de envolver ativamente a cultura e os saberes de povos e comunidades tradicionais, como indígenas e comunidades de matriz africana, nas políticas públicas voltadas à sustentabilidade. Isso inclui ações voltadas para a prevenção, mitigação e adaptação a desastres e emergências ambientais e sanitárias.
Expedito Stuart, do Ponto de Cultura Coletivo Causos Gerais, localizado em Paraíba do Sul (RJ), foi eleito como delegado para representar a conferência na etapa nacional. Em sua fala, ele ressaltou a importância da inclusão nas políticas culturais: “Nada sobre a gente sem a gente. Não se trata apenas de adaptar a cultura para pessoas com deficiência; é fundamental reconstruir uma política cultural que seja verdadeiramente acessível e que tenha a inclusão como sua base”, afirmou.
A conferência foi encerrada com a validação das propostas que seguirão para a etapa nacional, reafirmando a cultura como um elemento essencial para o desenvolvimento sustentável, o bem viver e a construção de sociedades mais justas e resilientes.

