Justiça Decreta Prisão Preventiva
A Justiça de São Paulo aceitou, nesta segunda-feira (13), a denúncia do Ministério Público contra Larissa de Souza Batista, acusada de envenenar seu namorado, Adenilson Ferreira Parente, com um açaí contaminado por chumbinho no último dia 5 de fevereiro, em Ribeirão Preto, no interior do estado. A decisão judicial não apenas acolheu a acusação como também determinou a prisão preventiva da jovem, citando a necessidade de garantir a ordem pública diante da gravidade do crime, evidenciada pelo modo como foi executado.
A defesa de Larissa tem um prazo de dez dias para apresentar sua resposta à denúncia. Segundo o Ministério Público, a jovem utilizou métodos cruéis e dissimulados, dificultando a defesa da vítima. Apesar de o plano não ter sido consumado, a promotoria imputou a ela a tentativa de homicídio qualificado, ressaltando que o delito não se concretizou por circunstâncias alheias à vontade dela.
Provas e Motivações da Acusação
A materialidade do crime é sustentada por diversos elementos, como o prontuário médico de Adenilson, exames toxicológicos e um relatório de investigação que identificou a presença da substância terbufós, um veneno usado para matar insetos, na comida e na substância granulada encontrada no fundo do copo. O promotor de Justiça Eliseu Berardo Gonçalves comentou à CNN Brasil que, embora a motivação do crime ainda não tenha sido totalmente esclarecida, a dissimulação de Larissa foi evidente. A jovem aparentava estar em um relacionamento amoroso normal enquanto escondia suas intenções letais.
Inicialmente, a promotoria considerou a possibilidade de um interesse financeiro por parte de Larissa, uma vez que Adenilson possuía cerca de R$ 20 mil em espécie. No entanto, essa hipótese foi descartada após a conclusão das investigações, pois a quantia não estava com a vítima quando ele consumiu o açaí envenenado.
Cronologia dos Fatos
O dia 5 de fevereiro foi crucial para o desenrolar deste caso. Adenilson foi hospitalizado em estado grave após ingerir o açaí que continha chumbinho, um veneno altamente tóxico, em Ribeirão Preto. Na ocasião, ele apresentou sintomas severos, como insuficiência respiratória e perda de memória, chegando a necessitar de intubação.
Conforme a acusação, Larissa fez dois pedidos de açaí em um estabelecimento, um registrado sob seu nome e outro em nome de Adenilson. Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento em que, em frente à casa do casal, ela abriu o copo destinado ao namorado e adicionou uma substância, posteriormente identificada como veneno. Apesar de ter admitido à polícia que colocou algo no copo, a jovem alegou que se tratava apenas de leite condensado, versão que foi contestada pelo Ministério Público, pois o ingrediente já estava na receita do produto.
Indícios de Culpabilidade
Além da confissão parcial, Larissa teria fechado o recipiente após inserir o veneno e insistido para que Adenilson consumisse o açaí. O que levantou suspeitas foi o fato de ele não ter ingerido o alimento imediatamente e, ao retornar para casa, acabou passando mal e relatando um desconforto na garganta. Após a ingestão, Larissa sugeriu que ele procurasse um hospital para realizar uma lavagem estomacal, o que sugere que ela tinha conhecimento do envenenamento.
As investigações descobriram também que Larissa resetou o celular para os padrões de fábrica no dia da operação policial, apagando potencialmente provas que poderiam incriminá-la. Os indícios de autoria incluem não apenas as imagens de segurança, mas também depoimentos de familiares e funcionários do comércio, além de laudos periciais que corroboram a acusação do Ministério Público. Segundo os promotores, a jovem planejou e executou o ato de forma a evitar que a vítima percebesse o risco que estava correndo.

