O Teatro como Ferramenta de Reflexão
O espetáculo “Meu Nome: Mamãe”, que chega a Jundiaí no dia 29 de abril, não se preocupa em contar uma história linear ou oferecer explicações diretas sobre o Alzheimer. Em vez disso, a montagem, encenada pela mundana companhia, se destaca pela sua abordagem não convencional, que rejeita a linearidade e as respostas fáceis. Essa escolha artística é, na verdade, o que confere força e relevância à obra, que será apresentada na Sala Glória Rocha.
A atração é fruto da experiência pessoal do ator Aury Porto, que conviveu com sua mãe diagnosticada com Alzheimer por quase duas décadas. Sob a direção de Janaína Leite, uma referência em Auto ficção no Teatro, o material autobiográfico se transforma em uma investigação profunda sobre a identidade e a memória, questionando o que permanece de nós quando a consciência começa a se dissipar.
Explorando o Estado de Insegurança
No palco, Aury Porto não apenas narra a doença; ele incorpora a instabilidade emocional que a condição provoca. Através de uma interação simbólica entre filho e mãe, o espetáculo mergulha em um universo onírico, onde as lembranças aparecem de forma fragmentada. O humor, por vezes, emerge como um recurso para aliviar a tensão e promover uma conexão entre o público e as experiências retratadas. “Quando a memória começa a falhar, isso não afeta apenas o que lembramos, mas também a maneira como nos percebemos”, observa o ator. “O espetáculo busca refletir esse estado em que as coisas estão em constante transformação, sem certezas fixas.”
Caminhos do Teatro de Aury Porto
Aury Porto, um artista cearense com uma trajetória de mais de 38 anos, traz consigo a rica bagagem de sua passagem pelo icônico Teatro Oficina, onde participou da famosa adaptação de “Os Sertões”. Em 2007, ele fundou a mundana companhia, que ganhou destaque com produções premiadas como “O Idiota – Uma Novela Teatral” e “O Duelo”. No espetáculo “Meu Nome: Mamãe”, ele combina sua sólida formação técnica com um texto de sua autoria, enriquecido pela sensibilidade da dramaturga e psicanalista Claudia Barral. A proposta também é acompanhada pela trilha sonora de DiPa e pela cenografia de Flora Belotti, que evocam as raízes culturais do Cariri cearense.
Uma Circulação Significativa pelo Interior Paulista
Viabilizado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo), o projeto do espetáculo assume um importante papel social ao abordar temas relacionados ao envelhecimento e ao cuidado. Na apresentação em Jundiaí, haverá sessões que promovem o diálogo com a comunidade, incluindo uma sessão com tradução em Libras às 15h e uma apresentação às 19h com um bate-papo entre a equipe e o público, transformando o teatro em um espaço de escuta e troca sobre as doenças da memória. Até agora, a apresentação já percorreu cidades como Barretos, Piracicaba, Ribeirão Preto e Guarulhos, ampliando o alcance da discussão em torno do Alzheimer.
Informações do Evento
Espetáculo: “Meu Nome: Mamãe” em Jundiaí (SP)
Data: 29 de abril de 2026 (Quarta-feira)
Local: Sala Glória Rocha (Centro de Artes Prefeito Pedro Fávaro)
Endereço: Rua Barão de Jundiaí, 1093 – Centro – Jundiaí (SP)
Programação:
15:00 – Sessão com tradução em Libras
19:00 – Apresentação seguida de conversa entre equipe e público
Classificação indicativa: 12 anos
Acesso: Gratuito

