Assédio eleitoral cresce após segundo turno nas eleições de 2026
O assédio eleitoral contra trabalhadores continuou em alta após o segundo turno das eleições de 2026, especialmente na região de Ribeirão Preto. O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 23 denúncias entre o encerramento da votação, no domingo, 25, e a manhã de quarta-feira, 28. Esse total é o maior entre as nove regionais do órgão no interior paulista nesse intervalo. Somando-se os dois turnos, a região acumulou 42 denúncias, ficando atrás apenas da regional de Campinas, que contabilizou 57 casos.
Governo anuncia medidas para punir empresas envolvidas
O aumento das denúncias motivou o governo federal, o MPT e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) a anunciarem nesta quarta-feira (28) medidas para responsabilizar empregadores que praticam assédio eleitoral. Entre as ações previstas está a criação de uma lista pública de empresas infratoras, além da restrição ao acesso dessas organizações a créditos públicos.
Em coletiva, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, detalhou a formação de uma força-tarefa voltada a combater essas violações. A intenção é dar transparência às empresas envolvidas e aplicar sanções econômicas. A restrição de crédito será articulada com o Banco Central, que notificará o sistema financeiro sobre os empregadores responsáveis.
“Não estamos falando de coloração A ou B. O trabalhador tem direito democrático garantido pela Constituição de escolher sua opção política”, declarou Marinho. O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, reforçou o compromisso de uma resposta rápida e rigorosa contra os empregadores que cometerem irregularidades.
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Denúncias acumulam-se e mostram avanço do problema
O procurador regional do trabalho, Maurício Coentro Pais de Mello, informou que o MPT recebeu pelo menos 1.140 denúncias de assédio eleitoral nos três dias anteriores à coletiva, totalizando 3.080 registros desde o início da campanha eleitoral. Cerca de 30% das reclamações foram protocoladas após a votação.
Na região de Ribeirão Preto, foram registradas 19 denúncias até o primeiro turno, em 4 de outubro, e outras 23 após o segundo turno, em 25 de outubro. A regional do MPT, que abrange 599 municípios do interior paulista, recebeu 80 denúncias depois do resultado das eleições, o que representa 37% do total de 216 casos contabilizados em todo o ano.
Listas de boicote político preocupam autoridades
Além do assédio, circulam nas redes sociais listas intituladas “Empresários de Esquerda RP”, que relacionam estabelecimentos comerciais a supostas posições políticas de esquerda, incentivando boicotes a esses locais. Cidades próximas, como Sertãozinho, Bebedouro e Barretos, também registraram iniciativas semelhantes.
O promotor de Justiça Carlos Cezar Barbosa alertou para as consequências jurídicas dessas práticas. Em vídeo divulgado, classificou a ação como de “inspiração nazista”, ressaltando que pode configurar crime de injúria e gerar indenizações por danos materiais e morais. A responsabilização dependerá da análise dos casos e das provas apresentadas.
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Entidades comerciais repudiam hostilidades políticas
A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) posicionou-se contra o uso da divergência política como instrumento de hostilidade. A entidade reforçou seu caráter apartidário e a defesa dos empresários, independentemente de suas convicções.
O Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp) também condenou os boicotes e afirmou que o setor deve se unir para superar desafios futuros. “A eleição acabou, o resultado das urnas precisa ser respeitado e o comércio deve olhar para frente”, afirmou a entidade, que defendeu diálogo e equilíbrio para enfrentar os obstáculos do mercado.
Denúncias podem ser feitas ao Ministério do Trabalho e ao MPT
O governo federal reforçou que ameaças de demissão, recusa de contratação ou outras retaliações motivadas pelo voto configuram assédio eleitoral. Trabalhadores que se sentirem vítimas podem reportar os casos por meio dos canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho.

