Desmistificando a Sexualidade na Terceira Idade
Carmem Fregonesi não parece ter 97 anos e desafia os preconceitos associados à sexualidade na terceira idade. Residente de Ribeirão Preto (SP), ela leva uma vida autônoma e afirma: “Sempre busquei prazer na minha vida. Não é só isso que me faz feliz”. A aposentada, que mantém um relacionamento com um homem quase 30 anos mais jovem, é um exemplo de como o envelhecimento não necessariamente limita a vida sexual.
À medida que a população brasileira envelhece, a discussão sobre sexualidade na terceira idade ganha destaque entre especialistas. Embora existam tabus persistentes, a realidade mostra que a atividade sexual entre os mais velhos é mais comum do que se imagina. Segundo Lucia Alves Silva Lara, ginecologista e coordenadora da residência de Sexologia da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, essa evolução na sexualidade do idoso exige um olhar atento e respeitoso.
Mudanças físicas e psicológicas são inevitáveis com o passar dos anos. As mulheres, por exemplo, enfrentam uma diminuição dos níveis de estrogênio após a menopausa, o que pode alterar a receptividade a estímulos sexuais e afetar a autoimagem. “Isso pode causar ressecamento vaginal e outras questões que impactam a sensação de prazer”, explica Lucia. Nos homens, a diminuição da testosterona pode levar a uma redução do desejo sexual e aumentar a probabilidade de disfunção erétil.
Contrariando a ideia de que as mulheres não se interessam mais por sexo após os 60 anos, a ginecologista ressalta que tanto homens quanto mulheres enfrentam transformações que impactam sua vida sexual. “A sociedade tem a percepção errônea de que os homens mantêm sua vida sexual ativa até o fim, enquanto as mulheres são vistas como desinteressadas”, destaca.

