Avanço no Tratamento da Obesidade
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta terça-feira, 17, a utilização de uma dose três vezes maior do Wegovy, um medicamento desenvolvido para pacientes com obesidade. A nova dosagem, de 7,2 mg, é uma ampliação significativa em relação à dose anterior, de 2,4 mg, que era a mais alta disponível. Enquanto isso, o Ozempic, outra medicação que contém o mesmo princípio ativo, a semaglutida, continua com a dosagem máxima de 2,4 mg.
A farmacêutica Novo Nordisk agora aguarda a autorização da Anvisa no Brasil e da Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos para a comercialização do Wegovy na nova dosagem de 7,2 mg, embora ainda não haja uma previsão definida para essas aprovações.
Destinada a adultos com obesidade, definida como um índice de massa corporal (IMC) superior a 30 kg/m², a nova dose semanal pode ser administrada através de três injeções de 2,4 mg, a serem aplicadas simultaneamente. A empresa também está buscando a aprovação de uma caneta injetora que possibilitará a aplicação da dose única de 7,2 mg na União Europeia, com a expectativa de que, caso aprovada, o produto esteja disponível ainda este ano.
“Essa mudança proporciona aos médicos uma nova alternativa para auxiliar pacientes que necessitam de uma perda de peso mais acentuada após o uso da dosagem anterior de 2,4 mg”, comenta a Novo Nordisk.
Critérios para Prescrição da Nova Dose
Para receber a indicação de uso da dose de 7,2 mg, os adultos com obesidade devem ter utilizado a versão de 2,4 mg por no mínimo quatro semanas. O endocrinologista Clayton Macedo, do Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), observa que a nova dosagem deve ser avaliada com cuidado em pacientes que apresentaram apenas uma resposta parcial à dosagem anterior ou que possuem um quadro de obesidade grave, com IMC acima de 40 kg/m², necessitando de uma perda de peso significativa.
“Esse medicamento nunca deve ser prescrito a indivíduos com IMC dentro da faixa normal ou que buscam emagrecimento apenas por questões estéticas. O uso da nova dosagem é uma poderosa ferramenta, mas demanda cautela e critérios específicos de indicação”, enfatiza Macedo, que também ocupa a diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
O endocrinologista destaca ainda que a quantidade de massa muscular perdida durante o tratamento foi menor do que o esperado, com 84% do peso eliminado sendo de massa gorda, o que oferece uma segurança maior na prescrição da dose elevada.
Embora o médico tenha inicialmente receios quanto à tolerância da dose de 7,2 mg devido à possibilidade de efeitos colaterais gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreias, a pesquisa indicou que esses sintomas ocorreram com uma frequência apenas ligeiramente superior em comparação com a dosagem de 2,4 mg. “Estima-se que houve um aumento de cerca de 10% nos efeitos colaterais, mas nada que impeça sua utilização”, avalia Macedo.
Porém, ele ressalta que, devido à curta duração dos estudos realizados, ainda não é possível fazer afirmações conclusivas sobre a probabilidade de ocorrências de pancreatite ou de outros efeitos colaterais desconhecidos.
Resultados Promissores com Wegovy
De forma geral, os participantes que utilizaram Wegovy na nova dosagem de 7,2 mg e que não apresentavam diabetes mostraram resultados encorajadores. A expectativa é que esse tratamento revolucionário traga novas esperanças para pacientes que lutam contra a obesidade e suas consequências para a saúde.

