O Uso dos Celulares no Ambiente Escolar
A discussão sobre o uso de celulares nas salas de aula ganhou novos contornos com a implementação da Lei Federal 15.100/2025, que entrou em vigor no início de 2023. Essa legislação permite que escolas de Ensino Fundamental e Médio adotem medidas de controle e até de proibição do uso desses dispositivos durante as aulas. Recentemente, instituições de ensino superior em São Paulo e outros estados também começaram a restringir ou proibir a entrada de alunos com celulares.
As opiniões sobre o tema permanecem polarizadas. De um lado, há professores que se queixam da dificuldade de alguns alunos em focar, especialmente em textos longos e complexos. Essa situação traz desafios, pois muitos educadores se sentem obrigados a esforçar-se para manter a atenção em sala. Por outro lado, há docentes que observam melhorias no comportamento dos alunos, que, diante da proibição, buscam novas – ou até antigas – estratégias para potencializar o aprendizado e a socialização.
Por sua vez, estudantes e professores que apoiam o uso dos celulares argumentam que eles são ferramentas úteis para pesquisas, gravações e anotações que enriquecem o processo educativo. Alana Danielly Vasconcelos, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes, destaca que a questão atual não é mais se os celulares devem estar presentes nas salas de aula, mas sim como utilizá-los de maneira pedagógica. “Existem dois extremos: por um lado, o uso excessivo pode levar à dispersão; por outro, as tecnologias têm potencial para enriquecer a aprendizagem e fomentar a inovação”, explica.
Desafios e Oportunidades no Ensino Superior
Alana defende que a discussão sobre as vantagens e desvantagens do uso de celulares na educação superior é imprescindível. Ela enfatiza a importância de um equilíbrio entre a utilização desses dispositivos e a responsabilidade digital. “Vivemos em uma era de hiperconexão, em que as gerações mais jovens aprendem e produzem conhecimento mediadas por tecnologias digitais. Ignorar isso é desconectar as instituições de ensino da realidade contemporânea”, afirma.
Para encontrar esse equilíbrio, Alana sugere a integração consciente dos celulares às metodologias ativas de aprendizagem. Isso ocorre quando os smartphones deixam de ser meros objetos de distração e se tornam um recurso valioso para os alunos. Algumas práticas incluem a produção de conteúdos como vídeos e podcasts, acesso a materiais acadêmicos em tempo real e participação em dinâmicas interativas. No entanto, ela alerta que essa integração depende da disposição do aluno em usar os celulares de maneira produtiva, sem se perder em redes sociais durante as aulas.
“É fundamental desenvolver competências de autorregulação e foco que são essenciais na educação. O objetivo é transformar o uso do smartphone em algo intencional, não automático”, pondera Alana. Ela sugere que os alunos ativem modos de concentração em seus dispositivos, bloqueiem notificações durante as aulas e utilizem seus celulares apenas para atividades orientadas pelos professores.
Educação Para o Uso Consciente das Tecnologias
Por outro lado, práticas inadequadas, como o uso excessivo de redes sociais, plágio e a dependência da tecnologia sem o desenvolvimento do pensamento crítico, devem ser evitadas. “Mais do que proibir o uso, precisamos educar sobre como utilizar as tecnologias digitais de forma consciente e ética”, conclui a pesquisadora.
A Influência da Inteligência Artificial no Aprendizado
O debate sobre o uso de celulares também se aplica à introdução de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, que têm sido cada vez mais empregadas em pesquisas acadêmicas. Alana Vasconcelos ressalta que, assim como no uso de celulares, é importante estar atento às boas práticas para evitar abusos no uso da IA. “Quando utilizada corretamente, a inteligência artificial pode ser uma aliada no processo de aprendizagem. Ela auxilia na organização de ideias, na explicação de conceitos complexos e na personalização do aprendizado”, comenta.
No entanto, Alana alerta que a IA pode potenciar tanto as boas práticas quanto os riscos, como respostas superficiais e a substituição do esforço intelectual. “O foco deve ser no letramento digital e no letramento em IA, ensinando como essas ferramentas podem ser usadas de forma crítica, ética e responsável. O ideal é utilizar a IA como um recurso de mediação, ao invés de um atalho”, finaliza.

