Oportunidade de Desenvolvimento para São Paulo
O Governo de São Paulo anunciou, nesta sexta-feira, 27, a conclusão da habilitação e a escolha do Consórcio Rota Mogiana como vencedor da concessão para operar e manter 520 Km de rodovias no estado. Com a documentação aprovada, o processo agora avança para as etapas de homologação e adjudicação, que são pré-requisitos para a assinatura do contrato e o início da transição operacional. Essa fase está prevista para ocorrer nos próximos 60 dias.
O secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, destacou a importância da iniciativa: “A Rota Mogiana demonstra que São Paulo possui projetos bem estruturados, com segurança jurídica e um foco claro na entrega de resultados”. Com essa concessão, espera-se beneficiar aproximadamente 2,3 milhões de pessoas e gerar cerca de 11 mil empregos diretos e indiretos.
Entre as melhorias planejadas no edital do projeto estão a duplicação de 217 quilômetros de rodovias, a construção de 58 novas passarelas para pedestres e 135 pontos de ônibus, além da criação de faixas adicionais e novas vias marginais. O projeto também inclui a implementação do sistema de cobrança eletrônica de pedágio, conhecido como free-flow.
Redução de Tarifas e Benefícios Esperados
Com a nova concessão, o governo paulista estima uma redução de até 29% nas tarifas das atuais praças de pedágio. As diminuições mais significativas ocorrerão em Jaguariúna (-29%), Águas da Prata (-27%) e Estiva Gerbi (-26%). O governo garante que não haverá aumento nas tarifas das praças existentes.
O consórcio vitorioso superou três concorrentes no leilão. A MC Brasil, do Fundo árabe Mubadala, ficou em segundo lugar com uma proposta de R$ 1,019 bilhão. As empresas Motiva e EPR apresentaram ofertas de R$ 560 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente, mas não foram suficientes para vencer a disputa.
Histórico do Consórcio e Desafios Futuros
A Azevedo & Travassos, uma empresa tradicional no setor de óleo e gás, está começando sua trajetória no segmento de rodovias. No ano passado, a empresa venceu a concessão da Rota Agro (BR-060/364/GO/MT), mas foi inabilitada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) devido a irregularidades em certidões trabalhistas e no seguro-garantia emitido pela Reag Seguradora. Agora, em colaboração com a Quimassa Infraestrutura, a Azevedo & Travassos assume a gestão da Rota Mogiana pelos próximos 30 anos, com a responsabilidade de operação, manutenção e expansão da rede viária.
Durante o leilão, o CEO do grupo, Gabriel Freire, abordou a relação da Azevedo & Travassos com a Reag, que fez parte de sua composição acionária por menos de um ano. Ele afirmou que essa etapa ficou no passado e que a empresa não enfrenta risco de reputação devido a isso. “A Azevedo & Travassos é uma companhia com 104 anos de história, listada há 42 anos na B3, e teve a Reag no captable por apenas 11 meses”, comparou.
A Reag, que deixou a companhia em setembro passado após ser alvo da Operação Carbono Oculto, enfrentou investigação por lavagem de dinheiro e uso indevido de fundos de investimento para ocultar recursos. Em janeiro, já sob a nova denominação CBSF DTVM, a empresa teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, após ser mencionada nas investigações relacionadas ao caso Banco Master.
Freire enfatizou: “Atualmente, a participação da Reag é zero. Desde a operação, a empresa foi rápida em neutralizar a maior parte dos impactos negativos. Não tivemos nenhuma perda de clientes”.

