A Proliferação de Algas em Glicério e Penápolis
Entre Glicério e Penápolis, no noroeste de São Paulo, a comunidade local enfrenta um sério problema ambiental: a proliferação excessiva de algas que transformam os afluentes do Rio Tietê em verdadeiros tapetes verdes. Essa situação não apenas afeta a vida aquática, mas também traz preocupações significativas para a economia da região.
Diariamente, o aposentado José dos Reis Pereira utiliza um rastelo na tentativa de limpar o Ribeirão Bonito, um dos pontos mais atingidos pela infestação de algas. “É uma tarefa árdua e, infelizmente, sem muito resultado”, desabafa. O ribeirão, que antes era um espaço de lazer e pesca, agora apresenta uma coloração esverdeada e forte mau cheiro, consequência da falta de oxigênio devido à imersão das algas.
Impactos Ambientais e Sociais
José relata que a situação se agravou nos últimos anos, tornando-se insuportável. “Antes era uma beleza porque nós pescávamos. A gente via a prainha aqui. Hoje, só se vê mato”, comenta, refletindo a frustração de muitos moradores que antes desfrutavam de atividades ao ar livre.
Aos poucos, a água do Ribeirão Bonito foi sendo coberta pelas algas, e em alguns trechos, mais de dois metros de profundidade foram afetados. O fenômeno, atribuído ao excesso de nutrientes provenientes do descarte irregular de esgoto e poluição, gera um ciclo vicioso que ameaça a fauna aquática e a qualidade da água.
Desafios para a Comunidade Ribeirinha
No Ribeirão São Jerônimo, outro afluente do Rio Tietê, a realidade é semelhante. Munícipes de Zacarias e Planalto também relatam a dramática mudança em seus ambientes naturais. A situação é tão preocupante que pescadores estão se vendo obrigados a mudar suas rotinas e abandonar suas práticas tradicionais.
Marcos Gobbi, outro aposentado que vive às margens do Ribeirão Lageado em Penápolis, recorda com saudade os tempos em que a água do ribeirão era cristalina e suas netas podiam brincar com segurança. “Quando comprei o terreno aqui, o que me chamou a atenção foi a água. Hoje, se você pensar em vender, está difícil. Uma pessoa que visita a beira do rio, busca exatamente isso: o rio. Chega aqui e se depara com um rio que não está em condições de uso”, lamenta.
Ação do Governo e Monitoramento Ambiental
Em resposta a essa situação, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) se manifestou sobre a questão. Em nota à TV TEM, o órgão informou que a combinação de chuvas e altas temperaturas favorece o crescimento das algas, aumentando a necessidade de fiscalização. Desde o início de 2025, a CETESB, em parceria com outras instituições, criou uma força-tarefa para monitorar e proteger os recursos hídricos da região. Até o momento, foram realizadas 419 inspeções e aplicadas penalidades que somam R$ 13 milhões.
Enquanto as autoridades tentam controlar a proliferação das algas, moradores como José e Marcos continuam a enfrentar o desafio de um ambiente em deterioração, questionando o futuro das águas que um dia trouxeram vida e sustento.
Perspectivas Futuras
A situação atual é um retrato claro dos desafios ambientais que comunidades ribeirinhas enfrentam. A luta contra o avanço das algas é, na verdade, uma batalha em defesa da economia local e da biodiversidade que faz parte da identidade da região. Medidas efetivas e conjuntas são necessárias para restaurar a saúde dos rios e garantir um futuro sustentável para essa população.

