Heloísa e Helena: Avanços na Separação das Gêmeas Siamesas
A quarta cirurgia das gêmeas siamesas Heloísa e Helena, que têm apenas 2 anos e nasceram unidas pela cabeça, foi concluída com sucesso no início da tarde deste sábado, 21 de março. O procedimento ocorreu no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, vinculado à Universidade de São Paulo (HCFMRP USP), no interior de São Paulo.
De acordo com informações divulgadas pelo hospital, as meninas já estão acordadas e estão recebendo cuidados na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HC Criança. A cirurgia deste sábado consistiu na instalação de bolsas expansoras de pele, realizada pela equipe de cirurgia plástica, e durou aproximadamente 6 horas.
Uma nova cirurgia está agendada para o final de junho, quando a separação total dos corpos de Heloísa e Helena será finalmente realizada. Essa cirurgia faz parte de um procedimento complexo que envolve a colaboração de mais de 50 profissionais de saúde, sob a coordenação do Professor Jayme Farina Junior, especialista em Neurocirurgia Pediátrica.
Caso Incomum e Desafiador
As gêmeas são um exemplo raro de siamesas craniópagas, com uma ocorrência estimada em um caso a cada 2,5 milhões de nascimentos. Para que a separação completa ocorra, são necessárias cinco cirurgias, que são realizadas com intervalos de 2 a 3 meses. Durante cada uma dessas etapas, os médicos abrem uma janela óssea de cerca de ¼ do crânio para acessar e separar os vasos sanguíneos. Após a cirurgia, essa janela é fechada e os cérebros das meninas precisam de um tempo para se recuperar hemodinamicamente, até que estejam prontos para a próxima fase do tratamento.
O processo se repete até que a separação total seja possível. A cirurgia final é quando os cirurgiões plásticos trabalham na reconstrução dos topos dos crânios das meninas, cobrindo-os com pele retirada das próprias crianças.
Tratamento Sustentado pelo SUS
Embora o tratamento das gêmeas envolva custos elevados, todas as despesas estão sendo cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que a família não tenha que arcar com custos financeiros durante esse período desafiador.
O HCFMRPUSP se destaca como referência nacional no tratamento de gêmeos craniópagos, tendo já realizado com sucesso a separação de outros dois casos e estando atualmente na fase final de mais um. A separação de gêmeos unidos pela cabeça é considerada um dos procedimentos médicos mais complexos, exigindo um planejamento detalhado que pode levar até um ano antes do início da série de cirurgias, que por sua vez pode se estender por mais de um ano.
Esse processo envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo especialistas em neurocirurgia, cirurgia plástica, pediatria, anestesiologia, enfermagem e fisioterapia. O planejamento inclui avaliações clínicas e neurológicas, além de uma série de exames de imagem, como tomografias e ressonâncias magnéticas. Esses exames são fundamentais para a criação de modelos tridimensionais e simulações em realidade virtual, permitindo um estudo aprofundado da anatomia única de cada caso.

