Programação Especial em Homenagem
A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP recebe o painel Memorial em Homenagem às Vítimas da Ditadura, que se insere nas atividades do Memorial da Resistência Madre Maurina Borges. Esta obra, que está em exibição na unidade desde setembro do ano passado, terá destaque nos eventos programados para os dias 31 de março e 1º de abril, datas que marcam a memória do golpe civil-militar de 1964.
As atividades ocorrerão no antigo Lar Santana, situado na Vila Tibério, um prédio histórico que hoje abriga o memorial. Durante os anos 1960, o espaço funcionou como um internato feminino sob a supervisão da Igreja Católica, sendo dirigido pela Madre Maurina Borges. A religiosa foi presa e torturada, e posteriormente extraditada para o México, sob a acusação de participação na resistência ao regime militar. Somente décadas depois, ela foi inocentada e voltou ao Brasil.
O internato encerrou suas atividades em 2014. Desde então, o imóvel, de propriedade da prefeitura, ficou abandonado e enfrentava um grave estado de deterioração. No ano passado, porém, ativistas de diversas organizações políticas e sociais ocuparam o local, transformando-o no Memorial da Resistência Madre Maurina Borges.
A programação do memorial inclui a exibição de um documentário sobre a trajetória de Maurina, o lançamento do livro “Nunca Mais”, do autor Camilo Vannuchi, além de uma vigília em homenagem a mortos e presos políticos. Também está prevista uma roda de conversa com convidados notáveis, como Sônia Wright, Belisário dos Santos Júnior e Manoel Cyrillo.
O painel da FDRP é uma realização do evento Ditadura Nunca Mais, que ocorreu em novembro de 2024, reunindo diversas unidades da USP em Ribeirão Preto, além de representações estudantis e sindicais. A obra foi confeccionada pelo coletivo de bordadeiras Mira do Ponto, que é composto por artistas de Ribeirão Preto e região.
Após a programação, o painel retornará ao seu espaço habitual na FDRP, reafirmando assim o compromisso da faculdade com a memória democrática e os direitos humanos, fundamentais para um futuro mais justo e igualitário.

