Um caso alarmante em Ribeirão Preto
Na última segunda-feira (30), uma idosa de 87 anos faleceu após ser resgatada em estado crítico de uma casa de repouso clandestina em Ribeirão Preto, São Paulo. Internada desde quarta-feira (25) na Santa Casa da cidade, a paciente havia passado por uma cirurgia para tratar um quadro de miíase oral, caracterizada pela presença de larvas na boca, uma condição frequentemente associada a falta de cuidados higiênicos.
O sepultamento da idosa está agendado para esta terça-feira (31) no Cemitério da Saudade, enquanto a cidade se mobiliza em torno deste trágico incidente.
Condições deploráveis na casa de repouso
A paciente, que apresentou um quadro grave, foi resgatada de uma instituição chamada Acolher, que operava sem autorização no bairro Monte Alegre. A fiscalização realizada pela Vigilância Sanitária resultou na interdição do local, onde, além da idosa, outros 11 idosos viviam em condições precárias. Destes, nove foram encaminhados a hospitais na mesma data do resgate. Somente uma mulher permaneceu sob cuidados públicos, mas já foi transferida para a casa de familiares conforme informado pela Prefeitura de Ribeirão Preto.
Os responsáveis pela casa de repouso estavam presentes durante a operação de fiscalização. Tentativas de contato do portal g1 com o casal que gerenciava o local não resultaram em comentários até a última atualização desta matéria.
Uma defesa frustrante
Em declarações à imprensa, Igor Ramos, sobrinho da idosa, relatou que a clínica justificou a infestação de larvas alegando que ela “ficava com a boca aberta”. O jornalismo local destaca a incredulidade dessa versão. “É uma desculpa sem sentido, como se dormir com a boca aberta fosse justificar uma situação tão grave”, comentou Igor, enfatizando o absurdo da situação.
Repercussões familiares
A idosa estava sob os cuidados da casa de repouso há aproximadamente três anos, após a morte do filho que a acompanhava. Com a rotina pesada dos familiares, a decisão de deixar a idosa em uma clínica foi considerada necessária. “Todos trabalham e não havia ninguém para cuidar dela em casa. Era um ato de necessidade da família para garantir que ela tivesse assistência”, explicou Igor.
A mensalidade de R$ 4,5 mil era dividida entre os membros da família, mas, segundo Igor, a cada visita, a família notava uma deterioração no atendimento. Em uma das visitas, apenas dois cuidadores estavam presentes, e o estado de saúde da idosa se agravou a ponto de ela ter que ser alimentada por sonda, sem que nenhum laudo médico que justificasse essa medida tivesse sido apresentado.
Investigação em andamento
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso está sob investigação da Delegacia de Proteção ao Idoso de Ribeirão Preto. Até o presente momento, a Polícia Civil ainda não recebeu informações sobre a morte da idosa. “Se surgirem novas evidências durante a apuração, a natureza do inquérito poderá ser alterada, mas a investigação continuará”, declarou a secretaria.
O promotor de Justiça Carlos Cezar Barbosa afirmou que está aguardando a conclusão da apuração da Vigilância Sanitária para determinar quais medidas serão adotadas pelo Ministério Público.

