Ação Conjunta Contra o Crime Organizado
A Polícia Civil deu início, nesta quinta-feira (9), a uma importante operação para desarticular uma organização criminosa que atuava no furto e adulteração de veículos de alto valor. Denominada Operação “O Clone”, a ação envolveu policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araçatuba e da Delegacia de Investigações Gerais de Votuporanga, ambas em São Paulo.
As investigações começaram após o roubo de três caminhonetes da marca Nissan Frontier, ocorridos entre outubro e novembro de 2025, duas delas em Araçatuba e uma em Votuporanga. As apurações levaram à identificação de nove membros da quadrilha, que operava um esquema altamente sofisticado de clonagem de veículos, impressionando as autoridades pela tecnologia empregada.
Furtos por Meio da Tecnologia Avançada
O modus operandi da quadrilha revelou-se complexo. Os criminosos selecionavam caminhonetes específicas e, discretamente, seguiam suas vítimas. Quando o proprietário ativava o alarme de segurança do veículo, os suspeitos utilizavam um dispositivo eletrônico chamado “Flipper Zero” para interceptar o código de segurança e cloná-lo.
Com um segundo equipamento, eles conseguiam abrir as portas e dar partida nos veículos em questão de segundos, fugindo sem deixar marcas visíveis de arrombamento.
Apos o furto, as caminhonetes eram levadas para uma chácara em Birigui, onde passavam por um processo detalhado de adulteração de seus sinais identificadores, incluindo a numeração do chassi, motor e vidros.
Colaboração com Funcionários Públicos
Para que os veículos se tornassem “dublês perfeitos”, a quadrilha contava com a colaboração de um permissionário do Detran (Departamento Estadual de Trânsito). Este funcionário acessava o sistema do órgão para localizar veículos idênticos com documentação regular, providenciando o emplacamento fraudulento, o que conferia uma aparência de legalidade aos carros roubados.
Prisões e Apreensões Significativas
A operação resultou no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Birigui, Buritama, Itaquaquecetuba e Poá. Dentre os nove mandados de prisão emitidos pela Justiça, oito foram executados com sucesso, enquanto um dos envolvidos, já condenado por tráfico de drogas, continua foragido.
Em Birigui, foram detidos o permissionário do Detran, uma mulher que oferecia suporte financeiro e logístico, e um homem que contribuiu com as adulterações — ele era procurado por tráfico internacional de drogas.
Na região da Grande São Paulo, nas cidades de Itaquaquecetuba e Poá, a polícia conseguiu capturar mais cinco membros do grupo, incluindo o líder da organização e sua esposa, além de executores diretos dos furtos e um advogado que participava ativamente do esquema.
Equipamentos e Dinheiro Apreendidos
Durante a operação, a polícia apreendeu um Fiat Mobi utilizado nos crimes, além de três veículos — dois deles com sinais de adulteração, incluindo um Fiat Toro e um VW Golf Variant. Também foram confiscadas placas veiculares, celulares, computadores e uma quantia em dinheiro.
A Mobilização Policial e o Futuro dos Suspeitos
A megaoperação envolveu 52 policiais civis das regiões de Votuporanga e Araçatuba. O trabalho conjunto de inteligência permitiu esclarecer cinco casos distintos relacionados à quadrilha. Os suspeitos que foram capturados agora enfrentam prisões preventivas e devem responder por uma série de crimes, incluindo furto qualificado, falsidade ideológica, adulteração de sinal de veículo automotor, organização criminosa e corrupção ativa e passiva. As penas, somadas, podem resultar em até 30 anos de prisão.

