Adoção de Políticas Contraceptivas
A implementação de estratégias de saúde e educação sexual tem demonstrado um potencial significativo para diminuir os custos públicos relacionados a partos e exames pré-natais. Essa realidade é especialmente evidente no contexto brasileiro, onde a gravidez em meninas e adolescentes ainda é uma preocupação alarmante. Dados recentes indicam que a introdução do implante subdérmico de etonogestrel nas redes municipais de saúde contribuiu para uma impressionante redução de 52% nas gestações entre mães de 10 a 19 anos na cidade de São Paulo, gerando uma economia que representa cerca de 10% do total gasto com tais despesas.
De acordo com informações da Assessoria de Imprensa da empresa de saúde Organon, a relevância deste método contraceptivo é tão notável que o Ministério da Saúde está promovendo um mutirão para a implantação gratuita do dispositivo em 21 de outubro. Um estudo realizado em 2014 por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de Groningen (Holanda) estima que o custo total das 1,8 milhão de gestações não planejadas ao sistema público brasileiro alcança R$ 4,1 bilhões, com base em dados do DataSUS coletados em 2010.
Custos com Partos e Complicações
Conforme a pesquisa citada, publicada no International Journal of Women’s Health e referendada por um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) de 2022, os partos resultantes de gestações não planejadas representaram um gasto de R$ 1,22 bilhão, ou 30% do total. As complicações neonatais e as internações hospitalares associadas a esses casos consumiram os restantes 70%, totalizando R$ 2,8 bilhões.
A realidade não se restringe ao Brasil. Nos Estados Unidos, estudos sugerem que a diminuição de gestações indesejadas poderia gerar uma economia anual de até US$ 6,2 bilhões. Especialistas, como os do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, destacam que a educação e o acesso a métodos contraceptivos eficazes, principalmente os de longa duração, são as melhores estratégias para prevenir essas gestações. Esse padrão de efetividade também foi observado no Reino Unido.
Desafios e Números Alarmantes no Brasil
No Brasil, a situação é preocupante: 55,4% das gestações são não planejadas, segundo um relatório da ONU de 2022. Em São Paulo, essa taxa é ainda mais alta, atingindo 65,7%. Em 2023, 12% dos partos foram realizados em jovens com até 19 anos. Alarmantemente, a cada hora, 35 bebês nascem de mães adolescentes, com meninas de 10 a 14 anos dando à luz a cada 30 minutos.
Os gastos gerados por essas gestações pesam na conta do poder público, com as prefeituras arcando com despesas que incluem exames pré-natais e partos, que têm um custo médio de R$ 5 mil. Na prática, esse valor é ainda maior, pois não considera outras despesas, como UTI neonatal e cuidados básicos.
Investimentos que Valem a Pena
André Mestriner, diretor-associado de acesso público da Organon, enfatiza que o investimento em políticas públicas de saúde e educação sexual, como a disponibilização do implante subdérmico de etonogestrel, representa apenas 10% do que é gasto com gestações não planejadas. A economia potencial é imensa, e o retorno em qualidade de vida e bem-estar social é evidente. Para ilustrar essa situação, o Ministério da Saúde promove um mutirão para a implantação desse método no próximo sábado.
Resultados Positivos e Quebra de Paradigmas
Considerado um dos contraceptivos mais eficazes, com uma taxa de sucesso de 99,95%, o implante subdérmico de etonogestrel foi adotado pela prefeitura de São Paulo em 2019, em um esforço conjunto com programas de educação sexual nas escolas. Como resultado, a cidade registrou uma redução de 52% nos partos entre meninas de 10 a 14 anos entre 2016 e 2021, e uma queda de 43% no índice de gravidez entre adolescentes de 15 a 19 anos.
No Guarujá, onde o implante foi introduzido em 2016, o número de gestações em adolescentes de 12 a 19 anos diminuiu em 40% entre 2017 e 2020. Ribeirão Preto seguiu o mesmo modelo a partir de 2018, com uma redução de 42% nos partos de meninas em comparação a 2008.
Essas iniciativas mostram que, ao integrar políticas públicas e métodos contraceptivos eficazes, é possível não apenas reduzir as taxas de gravidez indesejada, mas também prevenir a exclusão socioeconômica de jovens mães, que enfrentam dificuldades para continuar seus estudos e desenvolver suas carreiras.
Atualmente, um novo fenômeno está emergindo com a expansão desse método. Desde que o implante se tornou disponível, muitas mulheres optam por recebê-lo logo após o parto, em vez de realizar a ligação das trompas, como era comum há duas décadas. Essa mudança permite um planejamento familiar mais seguro e oferece tempo para que as mães reflitam sobre seu desejo de ter mais filhos.
Essa transformação de mentalidade é significativa. No passado, muitas mulheres se viam forçadas a tomar decisões irreversíveis. A realidade atual, com a disponibilização do implante subdérmico, proporciona maior flexibilidade e controle sobre a maternidade. Em Rondônia, há maternidades que já implementaram essa prática, oferecendo o implante logo após o parto.

