inovação no Setor Público
No Brasil, onde desigualdades regionais e desafios urbanos se intensificam, encontrar soluções para problemas municipais é uma tarefa complexa. políticas públicas que já mostraram resultados positivos em algumas cidades muitas vezes não são acessíveis para outras. Neste cenário, surge o Sonar Municipal, uma plataforma digital que utiliza inteligência artificial para conectar gestores a soluções já testadas em diversas regiões do país.
O projeto foi idealizado por Thiago Ambiel, estudante do Bacharelado em Ciência de Dados do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, localizado em São Carlos. A ferramenta funciona como um mecanismo de busca dedicado às políticas públicas, permitindo que prefeituras localizem rapidamente iniciativas que possam ser adaptadas às suas realidades locais.
“O principal objetivo da plataforma é servir como uma ferramenta de busca otimizada para políticas públicas”, destaca Ambiel. “Queremos ajudar as prefeituras a resolver problemas locais a partir de soluções que foram eficazes em outros municípios.”
Um Google para Políticas Públicas
Leia também: Startup da USP Revoluciona a Educação Financeira com Inteligência Artificial
Leia também: Inovador Exame de Sangue com Inteligência Artificial Promete Diagnóstico Precoce da Hanseníase
Inspirado em ferramentas de busca conhecidas, o Sonar Municipal foi projetado para ser extremamente intuitivo. O usuário simplesmente descreve o problema que deseja resolver — como evasão escolar ou violência urbana — e a plataforma retorna sugestões de projetos de lei que abordam questões semelhantes, implementados em outros locais.
“Ao acessar o site, o usuário digita uma breve descrição do problema e a plataforma encontra projetos de lei que podem ajudar”, explica Thiago. A principal inovação está na apresentação das informações: ao invés de textos jurídicos complexos, a ferramenta traduz o “politiquês” em recomendações mais práticas e objetivas. “Isso torna a busca por soluções mais acessível para quem está tentando resolver questões na sua cidade”, complementa.
Além disso, o sistema permite aplicar filtros por estado, município e período, facilitando a análise do tempo que levou para determinadas políticas gerarem resultados positivos.
Dados Reais como Base para Decisões
Um dos grandes diferenciais do Sonar Municipal é a vinculação com indicadores públicos, como taxas de homicídio e dados sobre matrícula escolar. Com isso, a plataforma consegue identificar tendências que surgem com a implementação de certas políticas.
Leia também: Agrishow 2026: App com Inteligência Artificial Melhora Experiência dos Visitantes
Leia também: Receita Federal Lança Política Inédita para Uso Ético da Inteligência Artificial
Tecnologia com Responsabilidade
A proposta do projeto foi originada de um desafio acadêmico proposto pelo orientador de Ambiel, André Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho, que é professor e diretor do ICMC. A tarefa era desenvolver um sistema que sugerisse políticas públicas por meio de inteligência artificial. No entanto, o uso de modelos de linguagem levantou preocupações sobre a precisão das respostas.
“Modelos de linguagem podem gerar respostas imprecisas com uma confiança excessiva, o que se torna perigoso neste contexto,” afirma Ambiel. Para evitar esse tipo de situação, a equipe focou na utilização exclusiva de dados concretos. “Optamos por indexar políticas já existentes ao invés de criar novas a partir do zero, garantindo um conjunto sólido de soluções.”
Neste modelo, a inteligência artificial tem um papel de suporte, organizando as informações e estabelecendo conexões entre problemas e possíveis soluções.
Expansão e Desafios Futuros
Atualmente, o Sonar Municipal abriga mais de 220 mil projetos de lei, coletados de aproximadamente 300 municípios brasileiros. Embora ainda não opere em todo o território nacional, a quantidade de dados disponíveis já permite identificar padrões e oferecer uma variedade considerável de soluções.
“Mesmo limitando-se a uma parte do Brasil, este espaço já representa um amplo acervo de soluções que podem ser reaproveitadas por praticamente qualquer estado,” avalia Thiago. Um dos desafios, no entanto, é a distribuição regional dessas informações. “Cerca de 65% dos projetos são oriundos do Sul e do Sudeste, o que pode afetar as recomendações,” observa.
A expectativa é que com a expansão da base de dados e o uso crescente pela gestão pública, o sistema se torne ainda mais robusto. “Frequentemente, a solução para um problema já está disponível, mas é difícil de encontrar,” conclui Thiago. “A plataforma tem como missão conectar essas experiências.”

