Expansão focada no ambiente aeroportuário
A Saideira, marca criada em 2018 pelo Grupo 3T Brasil em parceria com o RIOgaleão, traz para dentro dos aeroportos a atmosfera descontraída de um restaurante de praia carioca. Humberto Munhoz, sócio-fundador do grupo, destaca que a marca mantém sua identidade central, mas incorpora elementos regionais em cada unidade, como fotografias de praias locais, referências visuais e neons com frases típicas da região.
Atualmente, a Saideira está presente em 10 aeroportos brasileiros, incluindo duas unidades no RIOgaleão, duas em Guarulhos, duas em Porto Alegre, além de Congonhas (SP), Fortaleza, Vitória e Florianópolis. O grupo ainda tem duas lojas em obras: uma em Florianópolis e outra em um aeroporto onde ainda não atua, cuja localização e data de inauguração não foram divulgadas.
O diferencial do consumo em aeroportos
Para o Grupo 3T Brasil, a Saideira representa a principal porta de entrada para novas concessões aeroportuárias. “Não entramos em um novo aeroporto sem uma unidade da Saideira”, explica Munhoz. Depois que a operação está consolidada, o grupo amplia sua presença com outras marcas do portfólio.
A outra marca do grupo, O Pasquim, foi criada em 2014 em São Paulo e hoje possui unidades em bairros tradicionais da cidade, como Vila Madalena e Casa Verde, além de uma loja no RIOgaleão. Enquanto nas lojas de rua o consumo é focado em uma experiência prolongada com música ao vivo e happy hour, no aeroporto o atendimento é mais ágil e voltado para passageiros com pouco tempo, oferecendo café da manhã e snacks rápidos. Nessas unidades aeroportuárias, 85% do faturamento vem da alimentação.
Adaptação às diferentes jornadas do cliente
O comportamento do público varia conforme o local. Na Vila Madalena, os clientes buscam uma experiência que pode durar horas, com música e encontros sociais. Já nos aeroportos, a permanência média é inferior a uma hora, e o consumo é mais concentrado em agilidade e qualidade alimentar, fugindo do ambiente impessoal dos fast-foods. “Mesmo no aeroporto, o Pasquim mantém a alma de boteco, hospitalidade e comida de verdade”, afirma Munhoz.
Por que apostar em aeroportos?
Ao longo do tempo, a estratégia do Grupo 3T Brasil foi evoluindo. A rua foi o principal vetor de crescimento inicialmente, e houve tentativas de expansão em shoppings, mas a pandemia mudou o rumo. O segmento corporativo ganhou força nos últimos anos, mas o canal aeroportuário se destacou por sua peculiaridade e potencial.
Munhoz afirma que demorou quase uma década para lapidar o modelo de operação em aeroportos, entendendo a jornada do passageiro e o papel de cada ponto de venda. “No aeroporto, o fluxo de passageiros já existe, o desafio é converter essa demanda com a marca certa, produto adequado e operação eficiente”, explica.
Custos e desafios operacionais
Os custos de ocupação em aeroportos são significativamente maiores, representando de 20% a 22% do faturamento, contra 8% a 12% nas lojas de rua. Ainda assim, a escalabilidade e previsibilidade do fluxo de passageiros tornam o investimento atrativo para o grupo.
Diversificação e crescimento do portfólio
O Grupo 3T Brasil reúne sete marcas, entre elas O Pasquim, A Saideira, Empanadas Y Tal, Crave Meat, A Ventana, Saladaria Mix e Juice da Orla, além de franquias como Sodiê Doces e Domino’s Pizza. Algumas dessas marcas também operam em aeroportos. No ambiente corporativo, A Ventana e Saladaria Mix atuam em unidades do Banco Itaú em São Paulo.
Em 2025, o grupo faturou cerca de R$ 120 milhões, sendo que 75% desse valor veio das operações aeroportuárias. A meta para o ano é alcançar entre R$ 160 milhões e R$ 170 milhões, com previsão de R$ 220 milhões para 2027.
Consultoria aponta desafios e oportunidades
Alan Tanno, consultor do Sebrae-SP, destaca que a diversificação do portfólio dentro dos aeroportos é um ponto forte, pois atende diferentes momentos de consumo, do café da manhã ao jantar, incluindo o tradicional chope antes do voo. Ele ressalta que a localização em aeroportos garante fluxo constante de clientes com poder de compra, mas alerta para a necessidade de agilidade no atendimento, especialmente para passageiros corporativos com pouco tempo disponível.
Segundo Tanno, o principal desafio é evitar atrasos nos pedidos, que geram frustração no cliente. Além disso, os custos operacionais elevados exigem controle rigoroso da gestão financeira para evitar prejuízos.
A estratégia do Grupo 3T Brasil de levar experiências de bar e restaurante para aeroportos alia conveniência e hospitalidade. Essa combinação, quando bem executada, transforma o ambiente aeroportuário em uma oportunidade sólida de crescimento e faturamento.

