Estrutura Crítica entre Dois Estados
Recentemente, imagens revelaram um forte contraste na condição de manutenção da ponte que liga Rifaina (SP) a Sacramento (MG). Do lado paulista, os reparos foram significativos, com a aplicação de um novo manto asfáltico e melhorias na sinalização. Em contrapartida, a pista no lado de Minas Gerais continua com sua estrutura de concreto, repleta de buracos e irregularidades, despertando a preocupação dos moradores que utilizam diariamente essa importante via.
O empresário Dimitri Bottani, que frequenta a ponte, expressou sua frustração: “A gente pode ver que fizeram um manto de asfalto novo, sinalização nova e deu outra cara. Com certeza, o carro, quando passa em cima da ponte, tem mais estabilidade e segurança. Agora estamos pressionando o lado de Minas, não adianta ter só metade da ponte feita”.
O Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP) informou que, após ser notificado de uma decisão judicial, começou a executar os serviços de manutenção na ponte desde 24 de março. Já o DER de Minas Gerais (DER-MG) declarou que está avaliando intervenções possíveis, com a formulação de um plano de ação a curto, médio e longo prazo.
Preocupações dos Frequentadores
Newton Rezende, aposentado e frequentador da ponte, relatou que a estrutura é instável quando veículos mais pesados circulam. “Os caminhões passam e a ponte balança muito. Aqui tem muitos buracos, é perigoso. Tem hora que passam dois caminhões ao mesmo tempo e você acha que ela vai cair”, disse ele, ressaltando os riscos que essa situação proporciona.
Luciene Aparecida, moradora de Sacramento, utilizadora da ponte para ir à igreja em Rifaina, também se mostrou apreensiva com a possibilidade de uma interdição. “Se a ponte ficar interditada, fica ruim. Para a gente poder passar, fica muito difícil ter comunicação com as pessoas do lado de lá”, alertou.
Ponte Sem Responsável e Problemas Estruturais
A ponte, inaugurada em 1968, tem passado por poucas melhorias nas últimas décadas, resultando em sérios problemas estruturais. Relatórios da Defesa Civil de Rifaina e dos DERs de São Paulo e Minas Gerais apontaram, em abril de 2025, diversas falhas, incluindo problemas na pista de rolamento, juntas de dilatação e infiltrações.
No início deste ano, a Justiça Federal determinou que a Companhia Energética Jaguara (Engie Brasil Energia) assumisse a manutenção da ponte, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O MPF argumentou que a estrutura estava sem um responsável oficial e apresentava riscos ao tráfego. Porém, em março, essa decisão foi revista, e a responsabilidade pela manutenção foi atribuída aos DERs de ambos os estados.
O juiz federal substituto Andre Luis Pereira, da 1ª Vara Federal de Franca (SP), explicou que, apesar de a ponte ter sido construída como contrapartida à operação da Usina Hidrelétrica de Jaguara, não é possível assegurar a existência de um contrato de concessão que atribua a manutenção à ENGIE. “Desse modo, eventual responsabilidade da ENGIE pela manutenção da ponte sobre o Rio Grande somente poderá ser aferida após a regular instrução processual”, afirmou.
A decisão recente determina a realização de manutenções que impactem diretamente na trafegabilidade, como iluminação, asfalto, sinalização e obras estruturais consideradas urgentes. Além disso, um estudo sobre a situação da ponte deve ser apresentado em um prazo máximo de 90 dias, incluindo um cronograma das medidas a serem adotadas.
Enquanto isso, a população continua a esperar que as melhorias necessárias sejam efetivamente realizadas, para garantir a segurança e a integridade da ponte que é vital para a comunicação entre as comunidades de Rifaina e Sacramento.

