Renato Machado: trajetória e legado no jornalismo brasileiro
O jornalista Renato Machado faleceu na manhã desta quinta-feira, aos 83 anos, na Clínica São Vicente, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Reconhecido como um dos principais nomes do telejornalismo nacional, ele teve uma carreira de mais de 40 anos na TV Globo, ocupando cargos de destaque e marcando época como apresentador do Bom Dia Brasil.
Além de comandar o telejornal matinal, Renato apresentou o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional em Londres, além de exercer a função de repórter especial. Sua atuação internacional incluiu a cobertura de eventos históricos, como os atentados terroristas em Paris e o desastre nuclear de Chernobyl, ambos em 1986.
Contribuições e inovações no Bom Dia Brasil
Ao retornar ao Brasil em 1988, Renato Machado passou a atuar como repórter especial da emissora. Entre 1996 e 2010, ele foi apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, período em que participou da reformulação do telejornal. A proposta buscava tornar a apresentação mais dinâmica, com maior interação entre âncoras, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas, além de um uso mais diversificado do estúdio.
No início dessa fase, Renato dividiu a bancada com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos. Em depoimento ao projeto Memória Globo, ele destacou que o telejornalismo é um aprendizado contínuo, que exige conhecimento técnico e troca constante de experiências. “Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra”, afirmou.
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Retorno a Londres e cobertura internacional
Em 2011, Renato Machado voltou a Londres para assumir novamente o posto de correspondente internacional da TV Globo. Durante esse período, participou da cobertura de eventos relevantes, como o ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, o aniversário de 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica na Grécia.
Paixão pelos vinhos e gastronomia
Nos últimos anos, o jornalista dedicou parte do seu trabalho à divulgação do universo dos vinhos. Em 2014, produziu para o Jornal Hoje uma série de reportagens na região da Provença, na França, abordando a produção da bebida, gastronomia e cultura local. Renato também compartilhava seu conhecimento sobre vinhos e regiões produtoras em suas redes sociais.
Entre 1993 e 2006, assinou a coluna “Em volta da mesa” no caderno Rio Show, do jornal O GLOBO, onde discorria semanalmente sobre vinhos e gastronomia. Além disso, abordou o tema em coluna na rádio CBN e apresentou programas como “Menu confiança”, no GNT, ao lado do chef Claude Troisgros.
Últimas publicações e homenagem ao futebol
Seu último post nas redes sociais, em 11 de junho, data de abertura da Copa do Mundo 2026, demonstrou seu entusiasmo pelo futebol. Renato relembrou a final da Copa de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato ao vencer a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo Fenômeno. “Rumo ao hexa!”, escreveu, reforçando a expectativa para a nova edição do torneio.
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Carreira artística e atuação no teatro
Além do jornalismo, Renato Machado também teve atuação nas artes. Desde 1969, quando ingressou no Jornal do Brasil, ele se dedicou ao teatro e à dublagem. Fez parte do Teatro Oficina, em São Paulo, participando de montagens como “A tempestade”, de Shakespeare, e “Antígona”. Sua trajetória artística incluiu participações em produções televisivas, como as primeiras novelas da TV Globo, “Rosinha do sobrado” e “A moreninha”, além da novela “Sangue do meu sangue”, na emissora Excelsior.
Regina Duarte, colega de cena, destacou em entrevista que Renato impressionava pela inteligência, cultura e articulação, qualidades que marcaram sua atuação tanto no jornalismo quanto nas artes.
Renato Machado deixa um legado sólido no jornalismo brasileiro, especialmente na TV Globo, onde sua experiência e dedicação contribuíram para a evolução do telejornalismo nacional. Seu falecimento representa uma perda significativa para a comunicação e para o jornalismo de Ribeirão Preto e São Paulo, locais onde sua cobertura sempre teve impacto relevante.

