Alteração na jornada de trabalho: uma tendência inevitável
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou neste domingo, 26, que a mudança na escala de trabalho 6×1 no Brasil é uma evolução natural, perceptível em diversas partes do mundo, especialmente em função do avanço tecnológico e da modernização dos setores produtivos. Ele enfatizou que a vigente jornada de 44 horas deve ser revista de forma gradual, impulsionada pelo aumento da produtividade.
Durante uma coletiva de imprensa realizada após a abertura oficial da 31ª Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), Alckmin utilizou o agronegócio como um exemplo de como essas transformações estão acontecendo. Ele recordou que, no passado, a colheita de cana-de-açúcar na região era feita manualmente, e antes disso, a prática de queimar a lavoura era comum, resultando em um céu coberto de fumaça. Atualmente, com a proibição desta prática e a mecanização da colheita, o cenário se transformou, permitindo a colheita de cana crua.
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Segundo o vice-presidente, essa substituição da mão de obra manual por máquinas não apenas mudou o método de colheita, mas também o perfil dos trabalhadores no campo. “Não temos mais cortador de cana. Temos tecnólogos e especialistas em agricultura de precisão”, declarou. Para Alckmin, a inovação tecnológica possibilita uma produção mais eficiente com menor dependência de mão de obra, o que requer uma qualificação profissional mais robusta e o surgimento de novas funções no setor. Essa evolução, segundo ele, poderia justificar uma redução na jornada de trabalho semanal, um assunto ainda controverso no agronegócio.
Apesar de defender essa tendência, Alckmin salientou que a transição deve respeitar as particularidades de cada segmento econômico. Ele observou que alguns setores já operam com jornadas mais curtas, de 40 horas semanais, enquanto outros ainda precisam de adaptações específicas para essa mudança.
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O vice-presidente argumentou que a discussão sobre o novo formato de jornada de trabalho deve ser levada ao Congresso Nacional, que tem o papel de elaborar uma solução equilibrada. “A tendência é nós sairmos da escala 6 por 1, mas existem setores que possuem especificidades. É fundamental que o Congresso discuta e busque a melhor solução”, concluiu.

